A entorse do tornozelo, também conhecida como entorse tíbio-társica, é uma das lesões músculo-esqueléticas mais comuns, afetando pessoas de todas as idades e níveis de atividade física.
Epidemiologia
As entorses do tornozelo estão entre as lesões mais frequentes no contexto desportivo. Estudos prospetivos indicam uma taxa de incidência acumulada de 11,5 por cada 1000 exposições e uma prevalência de 11,8%. A forma mais comum é a entorse com movimento de inversão e rotação interna do pé, muitas vezes com flexão plantar associada. O ligamento perónio-astragalino anterior (LPAA) é o mais frequentemente lesionado nestes casos.
Nos casos mais graves de entorse do tornozelo, outros ligamentos, como o perónio-calcaneano ou o deltóide, também podem estar comprometidos.
O tempo médio de retorno ao desporto após uma entorse do tornozelo varia entre 16 e 24 dias. No entanto, muitos atletas experimentam recidivas ou problemas crónicos. As taxas de recorrência são elevadas, sobretudo em modalidades como basquetebol, voleibol e futebol americano.
A entorse do tornozelo pode evoluir para uma instabilidade crónica, com sensação de falha na articulação, dor persistente e limitação funcional. Cerca de 40% das pessoas com entorses repetidas desenvolvem esta condição, com impacto negativo na qualidade de vida e atividade física.
Fatores de Risco
Os principais fatores que aumentam o risco de entorse do tornozelo incluem:
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Histórico prévio de entorses;
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Fraqueza muscular dos estabilizadores do tornozelo;
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Alterações no equilíbrio e proprioceção;
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Instabilidade ligamentar congénita;
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Superfícies escorregadias ou irregulares;
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Fadiga muscular, especialmente em atletas.
Diagnóstico Diferencial em Fisioterapia e Osteopatia
É importante diferenciar a entorse tíbio-társica de outras lesões que envolvem dor na região, como fraturas ou lesões osteocondrais. Testes como o da gaveta anterior e o tilt talar ajudam a identificar lesões ligamentares específicas.
Mecanismo de Lesão
A maioria das entorses do tornozelo ocorre por um movimento forçado de inversão e flexão plantar. Em situações menos comuns, movimentos de eversão (pé para fora) podem lesionar o ligamento deltóide.
Classificação por Grau
As entorses do tornozelo são classificadas em três graus:
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Grau I (ligeiro): Estiramento ligamentar leve, dor moderada, sem instabilidade;
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Grau II (moderado): Rutura parcial, edema, dor intensa e alguma instabilidade;
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Grau III (grave): Rutura total, instabilidade acentuada e limitação funcional.
Primeira Semana: Abordagem Terapêutica PEACE & LOVE
Na fase aguda (primeiros 5-7 dias) com especial atenção às primeiras 24 horas, a abordagem PEACE & LOVE é recomendada:
PEACE
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Proteção: evitar movimentos agravantes;
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Elevação: reduzir o edema;
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Evitar anti-inflamatórios: para não interferir na cicatrização;
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Compressão: controlar o inchaço;
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Educação: informar o paciente sobre o processo de recuperação da entorse do tornozelo.
LOVE
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Carga: introdução gradual de movimento sem dor;
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Otimismo: encorajar uma mentalidade positiva;
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Vascularização: manter a circulação com atividades leves;
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Exercício: mobilidade e reforço muscular progressivo.
Intervenções de Fisioterapia e Osteopatia
A fisioterapia e a osteopatia devem começar precocemente após a entorse do tornozelo, com técnicas como mobilização suave, drenagem linfática e libertação miofascial. A osteopatia é eficaz na correção de padrões biomecânicos alterados e na melhoria da circulação.
Reabilitação Pós-Entorse
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Fase subaguda (2-4 semanas): mobilizações, proprioceção inicial e reforço muscular;
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Fase funcional (4-8 semanas): treino proprioceptivo avançado, fortalecimento muscular e reintegração ao desporto com exercícios específicos.
A osteopatia pode complementar a reabilitação com técnicas articulares e neuromusculares aplicadas ao tornozelo, joelho, anca e coluna.
Retorno ao Desporto
O regresso ao desporto após uma entorse do tornozelo deve ser gradual, respeitando os sinais do corpo. O uso de kinesiotape pode ajudar a prevenir recidivas e melhorar a estabilidade.
Instabilidade Crónica da Tíbio-Társica
Quando há laxidez ligamentar residual e défices proprioceptivos, a instabilidade crónica do tornozelo pode instalar-se, resultando em entorses recorrentes. A abordagem passa por fortalecer os músculos estabilizadores, melhorar o equilíbrio e o controlo motor.
Causas e Avaliação
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Instabilidade mecânica: laxidão ligamentar;
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Instabilidade funcional: défice neuromuscular.
A avaliação clínica é essencial, utilizando testes físicos e ferramentas como o CAIT e o FAAM para identificar o impacto funcional da instabilidade.
Tratamento e Prevenção
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Reabilitação funcional: exercícios de força, equilíbrio e controlo neuromuscular;
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Intervenção cirúrgica: reservada para casos graves ou sem resposta a tratamento conservador;
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Prevenção: programas de treino específicos e uso de suportes externos durante atividades de risco.
Prognóstico
Com um plano de reabilitação adequado e acompanhamento contínuo, a maioria das pessoas consegue recuperar totalmente de uma entorse do tornozelo, reduzindo significativamente o risco de novas lesões e melhorando a função global do pé e tornozelo.
A Fisioterapia tem grande impacto na recuperação das lesões desportivas, as recuperações das roturas dos ligamentos cruzados são um exemplo muito comum em par com as entorses do pé.
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